Associação dos Jovens Agricultores Micaelenses - Cooperativa Juventude Agrícola, CRL

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Manifestação de descontentamento do preço do leite

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Lavradores em São Miguel em 200 viaturas manifestam-se contra os "baixos preços" do leite

Lavradores de São Miguel ao volante de 200 viaturas estiveram ontem de manhã a manifestar-se contra os actuais preços de leite pagos à produção, uma marcha "pacífica" que passou pelas quatro indústrias de lacticínios da ilha e onde foi entregue um documento.

Convocada pela Associação de Jovens Agricultores Micaelenses (AJAM), a manifestação teve início na zona dos Arrifes pelas 11:20 (12:20 no Continente) e terminou na Ribeira Grande.

Os lavradores de várias zonas da ilha de São Miguel, vestidos com t-shirts brancas com a frase "que futuro" e faixas negras nas viaturas, reivindicam aumentos de três cêntimos por litro de leite.

Exibiam, ainda, cartazes onde se podia ler frases como: "preço do leite + rações + adubos + gasóleo + impostos + rendas + juros = FALÊNCIA".

"Há cada vez menos rendimentos para os lavradores", afirmou à agência Lusa João Sardinha, lavrador de uma exploração da Covoada, com cerca de 40 vacas.

Segundo disse, participa no protesto por entender que nunca houve um política coerente para um dos sectores de actividade económica mais importante dos Açores.

Também Victor Couto, lavrador da Lomba da Maia e sócio número nove da AJAM, alegou que o leite está a ser muito mal pago há muitos anos, acrescentando que "o futuro está preto".

Para o presidente da Associação dos Jovens Agricultores Micaelenses a participação na manifestação superou todas as expectativas, assegurando que ao longo do percurso mais lavradores se vão incorporar no protesto.

Segundo Virgílio Oliveira, face à situação bastante favorável do mercado do leite e lacticínios, seria de esperar da parte da indústria, alterações no preço do leite, fazendo reverter para o produtor parte dos ganhos proporcionados.

"Os rendimentos dos lavradores têm vindo sempre a diminuir nos últimos dez anos", referiu o dirigente associativo, alegando que dado o momento favorável que a industria atravessa haver lugar a impasses.

Virgílio Oliveira, que também é presidente da Federação Agrícola dos Açores, considerou que a manifestação constituir "um barómetro" para aferir o sentimento da lavoura micaelense, face à situação.

"Sabemos que estão agendadas reuniões para os dias 27 e 28 deste mês e o que vamos fazer é uma sondagem para saber se as pessoas estão ou não descontentes", explicou.

Após a primeira paragem na fábrica Unileite, o protesto seguiu para a sede da Presidência do Governo Regional, onde foi entregue um documento reivindicativo, que expressa ainda preocupação face "à ineficácia do secretário do sector".

Agroportal 22-06-2007

 

 

 

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